sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O dia em que Apolo se apaixonou por Poseidon

O dia em que Apolo se apaixonou por Poseidon

Parecia um dia normal na antiga Grécia, os Deuses do Monte Olimpo mantinham a paz na terra com seus pensamentos, enquanto os humanos desenvolviam seus afazeres com dedicação. Porém uma inquietação parecia tomar conta dos pensamentos de Apolo, que havia se recuperado há pouco tempo o trágico final de relacionamento com o príncipe Jacinto da Macedônia e passava a maior parte do tempo se divertindo com seus amantes ninfos. Apolo parecia estar cansado daquela entrega carnal e começava a sentir necessidade de se apaixonar novamente. Inquieto, resolveu caminhar pelas praias dos mares Nórdicos da Europa, mais especificamente em Asgard. A companhia do mar parecia preencher o vazio deixado pelo último relacionamento, a brisa parecia amenizar a dor que sentia materializada pelas lágrimas salgadas que escorriam pelo seu rosto chegando até o mar calmo.
Apesar da pequena trégua, a dor dessa vez parecia ser persistente e quanto mais pensava na solidão, mais lagrimas caiam do seu rosto em direção ao mar e o liquido sagrado que escorria do seu rosto parecia agitar o mar. Era como se a tristeza presente nas lagrimas alterasse a vibração das moléculas da água do mar e com isso enormes ondas se formavam. Toda aquela agitação chamou a atenção de Poseidon que descansava na ilha de Atlântida e estranhou o mar daquela região ficar agitado nessa época do ano. A bordo de sua nau resolveu ir até o local ver o que causava tanta agitação a um mar tão calmo.
Chegando no local Poseidon se deparou com Apolo deitado na beira do mar, com as pontas dos pés sendo aos poucos engolidas pelas ondas e com lágrimas ainda a cair do rosto. Apolo estava tão perdido no vazio da sua solidão que nem chegou a sentir a presença de um Deus e isso chamou ainda mais a atenção de Poseidon. Como um Deus poderia sentir uma tristeza tão grande, sendo ele um dos filhos mais respeitados, admirados e adorados de Zeus? O deus dos mares foi se aproximando aos poucos e sem que Apolo notasse sentou ao seu lado na areia e começou a acariciar seus belos cachos. Apolo estava tão paralisado pela tristeza que só percebeu a caricia quando Poseidon resolveu falar:
- Diga meu sobrinho, o que pode ser tão ruim assim a ponto de deixar um dos deuses mais poderosos do Olimpo tão triste?
- Não é nada não, apenas estou apreciando a solidão do mar e esperando que ela preencha um coração vazio – disse Apolo sem conseguir esconder a vergonha no rosto e enxugando as poucas lágrimas que ainda estavam no rosto.
- Você sabe que pode confiar em mim, faria de tudo para que essa tristeza saísse do seu olhar, não gosto de ver um Deus sofrendo as dores de humanos – nesse momento o Deus dos mares se aproximou ainda mais de seu sobrinho, lhe deu um abraço e completou – Não precisa se sentir envergonhado, diga-me os motivos, quem sabe assim eles não sumam dos seus pensamentos.
Apolo se sentiu mais à vontade e começou a contar todas as intempéries do seu último relacionamento. Na medida em que extravasava aquela dor em palavras para alguém tão próximo, a tristeza parecia se dissipar e um alívio passava a tomar conta de seu peito. Poseidon escutava tudo espantado e ao mesmo tempo admirado, como um Deus pode sentir um amor tão forte por um humano? Ainda que belo e príncipe de uma região tão rica como a Macedônia, Jacinto era apenas mais um humano e não merecia lagrimas tão sinceras de um Deus como Apolo. A humildade e sinceridade de Apolo fez Poseidon sentir algo estranho pelo sobrinho, um misto de admiração e desejo de se sentir amado com a mesma intensidade que Apolo parecia amar aquele humano.
Os dois conversaram durante horas e companhia do tio fez a tristeza da solidão abandonar o peito de Apolo e no final eles se despediram com um demorado abraço e saíram dali compartilhando um sincero sorriso no rosto. Mas não demorou muito para uma inquietação tomar conta do pensamento de Apolo novamente, porém dessa vez não era por saudades do humano, o poderoso Deus sentia agora uma estranha atração e admiração pelo tio Poseidon. Aquilo o deixava ainda mais agitado, poderia aquele encontro ter despertado um sentimento que não seja fraternal por um parente tão próximo? Apolo tentou de todas as maneiras fugir daquele sentimento, mas nem mesmo os ninfos conseguiram deter aquela vontade e ele passou a visitar o tio com uma frequência cada vez mais intensa.
Poseidon gostava da companhia do sobrinho e também sentia algo especial por ele e isso o deixaria cada vez mais preocupado. Não pelo fato dele sentir uma atração tão forte por alguém do mesmo sexo, isso era normal na Grécia antiga e ele já havia se envolvido com outros humanos. Mas o que preocupava o Deus dos mares era a intensidade daquele sentimento, afinal das últimas vezes que ele havia se envolvido com homens era apenas atração carnal e nunca antes havia se apaixonado por um Deus. Fora que Apolo era seu sobrinho, isso poderia causar grande impacto no Olimpo e ainda provocar a fúria de Zeus.
Porém os encontros aconteciam cada vez com mais intensidade e o sentimento entre o tio e o sobrinho ficava a cada dia mais forte. O fato deles passarem boa parte do tempo juntos passou a chamar a atenção dos deuses do Olimpo e até mesmo os cidadãos gregos. Mas mesmo as conversas das más línguas não pareciam abalar a sintonia do sentimento que brotava entre os dois deuses.
O sentimento era sincero, não havia como negar, até mesmo um cego poderia notar a sincronia expostas pelos gestos dos dois quando estavam juntos, era como se a presença dos dois espalhasse harmonia e alegria pelo Olimpo. Porém, apesar desse forte sentimento, os dois ainda não tinham consumado esse amor, nem mesmo com um beijo e isso começava a angustiar Apolo. Ele não sabia, mas Poseidon jamais teria coragem de se entregar a um amor como esse, afinal ele era um Deus conservador e não entendia os sentimentos libertinos que regiam a vida de Apolo.
Enquanto nada acontecia Apolo seguia oscilando entre os momentos alegres passados ao lado de Poseidon e a angústia de esperar aquilo ser de fato consumado. A vida pode parecer um pesadelo diante da ansiedade de esperar por algo que temos certeza que pode acontecer e nunca acontece. E era assim todo encontro dos dois, passavam horas se divertindo e até o fazer nada parecia ser melhor quando estavam juntos. Mas assim que se despediam uma angústia passava a dominar os pensamentos de Apolo.
Essa angústia passou a atrapalhar os afazeres de Apolo e aquilo que parecia ser um sentimento bom passou a perturbar sua paz. Poseidon por sua vez se sentia confortável com a situação, pois sentia que havia conquistado a admiração do sobrinho e não sentia tanta necessidade de dar um passo à frente nesse relacionamento. O sentimento foi tomando conta de Apolo até que um dia ele não resistiu e resolveu se abrir ao tio em um desses encontros a beira do mar.
-Poseidon tem algo que preciso te falar, me faz muito bem as horas que passo ao seu lado e a nossa amizade tirou um grande vazio do meu peito- confessou o sobrinho meio sem jeito- mas algo estranho tem acontecido, sempre depois que vou embora me bate uma angústia. É como se algo muito bom fosse acontecer a qualquer momento e esse algo nunca acontece.
-Querido Apolo, eu não sei muito o que te dizer – disse o tio ainda mais sem jeito- carrego comigo um sentimento muito especial por ti e desejo muito sua felicidade.
-Não precisa me dizer nada, apenas te disse isso pois me sufocava e precisava ser sincero. Eu também te quero muito feliz - nessa hora Apolo hesitou um pouco, queria muito dizer que se Poseidon se permitisse poderiam viver uma das histórias mais lindas de amor, mas teve medo de assustar e se distanciar do tio- e sinto que você deseja o meu bem.
-Espero que compreenda que apesar de ter esse sentimento tão sincero por ti, não seria capaz de enfrentar tudo e todos para levar isso a frente. Prefiro ser somente um amigo e não alimentar falsas esperanças, compreendo e admiro sua coragem e liberdade, mas tenho uma maneira diferente de ver a vida.
Os dois deram um abraço demorado, apesar de toda sinceridade e intensidade do abraço, havia nele um certo ar de despedida. Por Poseidon eles permaneceriam com aquela amizade, para ele já bastava a companhia do sobrinho, mas Apolo por mais que tentasse não conseguia controlar aquele sentimento. Diante da angustia preferiu se afastar aos poucos, precisava esquecer o tio para enfim se ver livre e poder amar novamente.
Não foi tarefa fácil para Apolo se livrar da dor de mais uma separação amorosa, ele não conseguia entender os motivos de não encontrar seu grande amor, tinha um sentimento muito profundo de companheirismo que precisava ser alimentado por alguém. A solidão parecia não bastar, ele queria dividir momentos de alegria, cuidar de alguém por quem tivesse um sentimento especial e tinha a necessidade de ser importante na vida de alguém. Ele sempre se perguntava, como poderia um Deus sentir um vazio tão grande no peito? Ele era um Deus, deveria se bastar.
Apolo resolveu voltar onde tudo aquilo havia começado, passou a tarde na praia olhando o mar, com a cabeça cheia de lembranças de amores passados e a angústia por respostas. Começou um choro repentino, que foi se intensificando até o anoitecer, aos poucos as lágrimas iam caindo e se perdiam na imensidão do mar. A noite chegou e Apolo dormiu ali mesmo, com lágrimas ainda escorrendo dos olhos e um vazio no peito. Durante a noite teve sonhos intensos com lembranças das coisas boas que havia feito para os outros na ânsia de encontrar seu grande amor.
Acordou no outro dia com o nascer do sol, sentiu a brisa leve tocar o seu rosto, o calor do sol aquecer sua pele e respirou um ar que parecia tão puro que preencheu completamente seus pulmões fazendo diminuir sua densidade e ele se sentir mais leve. As lágrimas pareciam ter ajudado a enterrar seus castelos junto com a areia da praia. Ele acordara apenas com as lembranças boas dos amores perdidos e um sincero sentimento de plenitude. Era como se da noite para o dia ele estivesse curado de toda dor e passasse a compreender que apenas o fato de existir já lhe bastava.
A partir daquele dia Apolo passou a ver a vida de uma maneira diferente, havia leveza e harmonia no seu caminhar, o vazio do seu peito era preenchido pelas pequenas coisas que gostava de fazer, como caminhar pela praia, comer uma fruta saborosa direto do pé, passar horas se divertindo com os amigos e cuidando daqueles que amava. Aquele amanhecer na praia lhe fez se sentir completo por fazer parte do todo. Ele chegara a compreensão que nunca esteve sozinho e o mundo era sua companhia para toda vida.
Apolo continuou espelhando sua luz pela eternidade, viveu grandes amores depois daquele, sempre sem se esquecer que amores vem e vão e o que permanece são os momentos compartilhados com alegria. Você nunca irá encontrar um único amor na sua vida, mas sim pessoas com quem vai dividir grandes momentos e tirar importantes lições. Afinal Apelo havia aprendido a maior de todas as lições: viemos para o mundo sozinhos e partiremos sozinhos, mas temos olhos para aprender a ver o próximo, ouvidos para escutar com afeto, olfato que nos permite perceber o aroma que exala das nossas atitudes, tato para tocar o coração com as mãos e paladar para aprender a saborear cada momento. Aquele Deus havia aprendido a lição mais divina, antes de procurar no outro a divindade que há em cada ser é preciso saber reconhecer e amar o lado divino que há dentro de sua própria vida.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Aracoara

Aracoara
Brotam dos sonhos
Dessa sua gente
Todos os mistérios
Da sábia serpente

És luminosa fonte
Na tarde alaranjada
Com aroma cítrico
Uma bola dourada

Sua chama xamã
Ilumina a floresta
Floresce no filho
Luz da nova era

Hoje em seus trilhos
Só passa a saudade
Lá de cima do balão
És uma nova cidade

Não vim dessa terra
Mas dela me tornei
O sol que brota nela
Em mim morada fez

Pedro Junqueira Franco de Castro 22/08/2014

domingo, 13 de setembro de 2015

Do tempo de amar

Do tempo de amar

Não estava ali às claras
Talvez fosse só faísca
Guardada em segredo
Onde mora o tempo

Não existia em palavras
Ainda que amigáveis
Perdidas nas horas
Fazia eterno o tempo

Não era ato consumado
Embora que de costume
Você escolhia pousar
Estava a voar o tempo

Não lamento o perder
Alegre por encontrar
O amor que cresceu
Junto ao nosso tempo

Pedro Junqueira Franco de Castro 13/09/2015 12:10

domingo, 11 de maio de 2014

Mãe divina

Mãe divina

Terra fértil da criação
Foi no seu ventre
Que a luz fez morada
Fazendo surgir a vida
Coroando um novo ser

Ao ver sofrer sua cria
Lança o olhar protetor
Iluminada estrela anciã
Zela para que a vida
Seja feita só de amor

Pelas ruas da cidade
Em todo toque de flor
Vê-se a mãe natureza
Despertando seus filhos
Para um novo tempo

Senhora das razões
Rainha do meu destino
Agradeço pela vida
Louvando o meu dia
Dando o melhor de mim

Pedro Junqueira Franco de Castro 19:50 11/05/2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mar para amar

Mar para amar

Quando estou no mar
A dor que temo sentir
Perde-se na imensidão
Libertado da solidão
Eu me entrego a amar

Ser com os pés na areia
Lembrança da infância
Um vestígio de sereia
Sonho da abundância
Que nos lança ao mar

Nada mais é o oceano
Altar feito por deuses
Infinita sua existência
Encontro de céu e mar
Que faz sua vida valer

Na sua leve companhia
Sou o que eu quero ser
Ainda que alma carente
Por não poder ter tudo
Tenho o mar para amar

Pedro Junqueira Franco de Castro 16:29 29/12/2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Do amor que não doei

Que o olhar desconfiado
Do que me desconhece
Não leve embora a chama
Que ilumina os caminhos

Na busca pelo perdão
Apenas pague o preço
Do amor que não doei
Por caminhar distraído

Assumo meus pecados
Sem o peso da culpa
Encontro no meu irmão
Um espelho de perdão

Que eu seja inocentado
Libertado do julgamento
Encontre leveza na vida
Enquanto agir com amor

Pedro Junqueira Franco de Castro 21/11/2013 12:45

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ser de luz

Ser de luz

Você é caminho de luz
Que leva até o infinito
Canal terrestre divino
Ser em forma de poesia

Borboleta de luz azul
Beija-flor que trás cura
Contagia com seu amor
As águas por onde passa

Com seu bailado celestial
Faz a roda do mundo girar
Iluminando os caminhos
De quem contigo caminhar

Gratidão é unir minha luz
Ao brilho que de ti emana
Nessa caminhada da vida
Que nos levará até o sol

Pedro Junqueira Franco de Castro 11/11/2013 12:41

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Primavera anunciada

Primavera anunciada

Caem gotas astrais do céu
Anunciando a primavera
Todos viemos ao mundo
Para desabrochar em flor

O tempo que julga perder
Lá fora vibra florescendo
A alegria é compartilhada
Dentro do âmago do ser

Ao se distrair com a flor
O amor se materializou
Florescendo o caminho
Abriu as pétalas do ser

O dia se igualou a noite
Na terra os seres do céu
Impulsionados pelo sol
Festejavam o celestial

Pedro Junqueira Franco de Castro 22/09/2013 16:13

Despedida anunciada

Despedida anunciada

Um dia minha presença
Sutilizada feito o amor
Vai ecoar pelos ventos
Através da eternidade

Serei lembrado pela brisa
Breve será meu perfume
Estarei na lembrança suave
Daquele que o vento tocar

Vou estar para sempre
Nas árvores que plantei
Nos animais que cuidei
Nos amigos que cultivei

Nada serei na matéria
Mas estarei presente
No sorriso lembrado
No arrepio da pele
No abraço consolo
Na lágrima a cair...

Pedro Junqueira Franco de Castro 14:23 21/09/2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O mensageiro do bem

O mensageiro do bem

Por pura vaidade do homem
Ainda que por fatalidade
Amanhece boiando na água
Aquele que anuncia o bem

O fim trágico no amanhecer
Mancha as águas de dúvida
Fazendo escorrer a lágrima
Despertando a fúria divina

Mas logo no final da tarde
Canta o casal de bem te vi
Anunciando a volta da paz
Dentro de nossos corações

O alecrim trouxe purificação
Apolo devolveu a harmonia
O bem te vi voa abençoado
Afirmando o bem reina aqui

Pedro Junqueira Franco de Castro 30/08/2013 12:48

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Baile na floresta

Baile na floresta

Descansar na sombra da mata
Escutar o canto dos canários
Espreitar a bela onça pintada
Abraçar a sabedoria da árvore
Fazer parte dessa grande festa

Subir os degraus da escada
Que levam até a eternidade
Catalisar toda negatividade
Cristalizando a positividade
Bem no centro do meu ser

Caminhar por suas trilhas
Deixar se levar pelo aroma
Se distrair com raios de sol
Que invadem seu profundo
Fazendo o broto virar a flor

Bailar com os seres invisíveis
Que habitam nossa floresta
Tocar o ritmo que fica no ar
Sentir a presença do espírito
Silencioso vai regendo a vida

Pedro Junqueira Franco de Castro 18:19 27/08/2013

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O pássaro homem

O pássaro homem

Um pássaro preso
Na gaiola da mente
Clama por liberdade
Desesperado canta
Seu desejo de voar

Assim é o homem
Escravo da mente
Preso na definição
Angustiado canta
Anseia apenas ser

Longe de si mesmo
Domina por medo
Esquece da verdade
Mais vale mil livres
Do que um na mão

Pedro Junqueira Franco de Castro 16:14 26/08/2013

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A sutileza de ser

A sutileza de ser

Quando nada se anseia
Tudo se tem na gratidão
O presente trás a dádiva
Conquistada com a lição

Se no caminho certo esta
A abundância transborda
Em posse do necessário
Para poder ser o que se é

O caminho da liberdade
Mora dentro de cada um
Vivendo nele se encontra
A sutileza de apenas ser

Pedro Junqueira Franco de Castro 14:39 21/08/2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Frutificar

Frutificar

Buscar no profundo da terra
A iluminação da ressurreição
Enterrar no solo o passado
Germinar um novo presente

Frutificar a semente certa
Vinda do deserto da alma
Junto com ventos do norte
Que guiam nosso caminhar

Renascer na chama da vida
Incorporar o fogo da alma
Que ilumina os caminhos
Liberta velhos julgamentos

Deixar que a água leve
Qualquer brisa breve
Saciando nossa sede
De ser apenas um ser

Pedro Junqueira Franco de Castro 15:27 19/08/2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

A árvore dos sonhos

A árvore dos sonhos

Cresce a árvore do sonho
Na grande floresta da vida
Nutrida pelo firmamento
Regada com todo o amor
Podada com a sabedoria
Compartilhando os frutos

Plena em sua existência
Vive o coletivo da mata
Alimentado os sonhos
Nutrida com as pedras
As gotas do céu regam
A sábia formiga poda

Eis o prelúdio da árvore
Sonho coletivo da mata
Sozinha não poderia ser
Sonhada seria só sonho
Na comunhão da selva
Torna-se realidade viva

Pedro Junqueira Franco de Castro 30/07/2013 14:04

domingo, 28 de julho de 2013

A vitória do nosso

A vitória do nosso

O vitorioso momento
Da provação presente
Ser faísca do espírito
Acordar para o Cristo

Vencer o gigante eu
Poder provar do mel
Grato pela pequenez
Da chispa que é a vida

Comungar a viva mata
Seres da natureza viva
Saber que nada é meu
Tudo é da nossa tribo

Reconhecer o milagre
Somos fagulhas de luz
Encenando livremente
No bailado dos Deuses

Pedro Junqueira Franco de Castro 22:25 28/07/2013

O querer do poeta

O querer do poeta

O querer do poeta é doentio
Um querer sem medida e fim
Brota do profundo da alma
Morre nas lágrimas do rosto

Ele é uma criança mimada
Inventa quando não tem
Abusa das possibilidades
Até esgotar o inesgotável

A sorte é que ele tudo pode
Dentro da vasta imaginação
Que cria mundos impossíveis
Concretizados em sua poesia

Pedro Junqueira Franco de Castro 23:35 27/07/2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O amor efêmero

O amor efêmero

O amor é uma doce ilusão
Invenção de poetas loucos
É uma cegueira por opção
Vai morrendo aos poucos
Amor mesmo só de mãe
Não morre após a cama

A paixão é feito chama
Na cama acende o pavio
No cotidiano apaga e doí
Depois derruba na lama
Inflama na folia da noite
Vira cinzas na quarta-feira

O desejo é pura imaginação
Fruto furtivo nascido a noite
Fingir da dissimulada dama
Ato clandestino do coração
Vontade passageira do ego
Que some com a luz do dia

Pedro Junqueira Franco de Castro 11:59 25/07/2013

Estranhos no ninho

Estranhos no ninho

O amor é fruto da imaginação dos amantes e quando um deixa de imaginar é certo que o outro vai sofrer. Não foi diferente no caso de Thor e Alice, eles se conheceram no treinamento da empresa, Thor era o instrutor sonhador que fazia das suas aulas uma diversão e Alice uma jovem cheia de ambições que via o emprego novo como uma oportunidade de ascender na vida. Thor se apaixonou logo que viu a jovem entrar na sala e usou de todas suas armas para seduzi-la, ela que não sabia bem ao certo o que queria da vida não deixou a oportunidade escapar. Em pouco tempo os dois formaram um desses casais que não se desgrudam, era uma sintonia perfeita de causar inveja em solteiros encalhados e de assustar pelo pouco tempo que se conheciam.
Qualquer pessoa que conhecia o casal poderia jurar que o romance dos dois iria durar um bom tempo, talvez até mesmo para sempre e que não seria mais um desses namoros efêmeros dos dias de hoje e era o que Thor desejava, pois já tinha seus vinte e nove anos e desejava experimentar algo mais duradouro que seus antigos namoros. Mas em pouco tempo a rotina, o tedio e o fato dele ter sido dispensado da empresa começaram a mudar esse quadro. Alice que antes o via como um cara responsável e maduro conheceu o lado imaturo e dependente de Thor e ele logo percebeu um certo distanciamento por parte dela e passou a achar ela egoísta por ser incapaz de compreender sua situação.
Com a queda da máscara ilusória da paixão os pequenos defeitos foram surgindo e o convívio passou a ser pesado, prejudicando até mesmo o desempenho sexual do casal. Thor sentia-se inseguro perto dela e passou a fazer de tudo para agrada-la, mas nada era suficiente e ele se via incapaz de satisfazer as expectativas da garota. Ela por sua vez havia perdido a fé naquele relacionamento e por ser ainda muito jovem podia se desapegar facilmente da situação, apesar de sentir que de certa maneira amava Thor. Não demorou muito para o fim já anunciado acontecer e foi da maneira mais trágica para ele, um dia antes de seu aniversário Alice pôs um fim na relação alegando que havia confundido seus sentimentos e que o via somente como amigo.
Os dois tentaram permanecer juntos como amigos, outra triste ilusão pois ele continuava a fazer de tudo para reconquistar o coração da garota e para ela apesar de se ver em uma situação confortável sabia que o fazia sofrer. Aos poucos um foi pegando implicância pelo outro, a insistência dele em querer ser amante e dela em querer ser somente amiga foi causando um distanciamento entre os dois. Agora, os dois que no início pareciam um casal de pombinhos apaixonados, eram dois estranhos no ninho de amor que haviam construídos juntos. Depois de uma troca de acusações por mensagem de celular os dois cortaram relações e nunca mais se falaram, provando o óbvio que quem nasceu para ser amante nunca poderá ser somente amigo.

Pedro Junqueira Franco de Castro 24/07/2013 21:37

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dominguinhos, o cangaceiro da paz

Dominguinhos, o cangaceiro da paz

Bom demais ficou o céu
Até as pedras cantaram
O velho xote do sertão
Com o regresso do rei

Brilha a estrela mais linda
Cantando pra nós do céu
Pois ele abriu sua porta
Lá sua vida vai prosseguir

Difícil será ficar sem você
O pensamento vai viajar
Para buscar o aconchego
Na sua voz que trás paz

Pedro Junqueira Franco de Castro 23/07/2013 23:03

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Natureza divina

Natureza divina

Descanso os olhos na criação
Sinto meus pés tocar a terra
Escuto os sons do anoitecer
Deixo-me levar pelo vento

Com a descida do espirito
O êxtase toma meu corpo
Na confirmação do divino
Presente em toda natureza

Fico calado em plena oração
Contemplando a divindade
No momento nada anseio
Grato pela minha existência

Pedro Junqueira Franco de Castro 18/07/2013 23:46

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O belo horizonte

O belo horizonte

Quando almas se reconhecem
As afinidades brotam da pele
O sorriso fortalece o encontro
A sintonia estende a conversa
Nasce a amizade verdadeira

A amizade é um belo horizonte
Onde as duas almas descansam
Um andar junto mesmo distante
A certeza do reencontro no fim
É temperar a jornada com amor

Pode ser que os planos mudem
As estradas podem se afastar
O infortúnio venha a eternizar
Mas amigos são feito irmãos
Caminham juntos no coração

Pedro Junqueira Franco de Castro 00:29 16/07/2013

Organizando o caos

Organizando o caos

Já era um costume de sua família organizar os quartos e os armários todo final de ano e nesse ano não foi diferente para Theo, por ordem de sua mãe, ele deu início a arrumação de seu quarto, que para ele mais parecia um verdadeiro caos. Todos os pequenos objetos e peças de roupas de um ano de sua vida se encontravam espalhados pelos cantos do quarto, a bagunça era generalizada e chegava a confundir a cabeça do garoto que após alguns instantes de paralisia, ocasionada pelo desespero, deu início a difícil tarefa.
Era como se a vida inteira dele estivesse naquele quarto, é logico que não caberiam ali todos os momentos que ele havia passado em seus dezoito anos de idade, porém cada objeto que ali estava lhe trazia a lembrança de algum momento marcado em sua memória. Os quadros de borboleta, herdados da avó, lhe traziam um pouco do sabor da infância sonhadora e mágica vivida no interior, o santo pendurado na parede lhe remetia aos tempos de catecismo, em que o medo de pecar havia lhe deixado certa culpa cristã e o cartão de natal ganho da primeira namorada, que lhe fazia respirar novamente os questionamentos de sua pré-adolescência.
À medida que ia organizando o seu caos, ele ia ressignificando sua vida, colocava cada coisa em um lugar de acordo com sua importância, para o fundo do armário iriam aquelas lembranças que fizeram parte do passado, mas que pelo apego não poderia se desfazer. Já nas prateleiras mais acessíveis, colocava aquilo que fazia parte do seu cotidiano, de modo a facilitar a correria diária de inicio de faculdade. Por fim, colocava a vista os objetivos que eram muito significantes e que formavam de certo modo sua personalidade. Algumas coisas ele jogava no lixo, pois era necessário se livrar daquilo que não lhe fazia mais sentido para dar espaço a novos sonhos.
No final do dia, ele finalizou a arrumação, colocando no mural de cortiça pendurado na parede aqueles lembretes para o futuro recente, o bilhete da atual paquera, o anúncio de jornal com uma oferta de emprego, o cartão postal da sonhada viagem que poderia vir a fazer, entre outros pequenos grandes planos. Arrumado o caos ele pode sentar na poltrona e ler tranquilamente o seu livro de poemas, pois se sentia pleno e sabia que, mesmo fisicamente sozinho, não estava só, uma vez que aquilo tudo, de certa forma, lhe pertencia e preenchia o vazio de viver.

Olhar feminino

Olhar feminino

Da claridade do seu olhar
Emana toda feminilidade
Oculta na pétala da flor

Pudera eu me aventurar
Nesse seu sensual olhar
Oculto mistério feminino

O seu sentir é generoso
Se não fosse eu sonhador
Bem poderia ser seu amor

Pedro Junqueira Franco de Castro 12/07/2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O desencanto

O desencanto

O que era para ser um laço
Aos poucos foi virando nó
Do entrelaçar das almas
Fez-se a luta cega de egos
Impedindo-nos de ser um só

De repente o desencanto
De pombinhos apaixonados
Éramos estranhos no ninho
Víamos um céu já passado
Impedidos de tocar estrelas

Mas todo fim é um começo
Mesmo que em outra vida
Amadurecidos nesse amor
Colheremos o fruto sagrado
Desabrochando nossa flor

No templo além do arco-íris
Silenciados os ruídos do ego
Nossas almas sacramentadas
Dançarão na noite estrelada
Poderemos nos amar em paz

Pedro Junqueira Franco de Castro 02:02 09/07/2013

domingo, 30 de junho de 2013

A canção que encanta

A canção que encanta

Quisera eu fazer uma canção
Que te pudesse reencantar
Com as maravilhas da vida
Que lá fora estão a cantar

Quem dera pudesse mostrar
Que o beija-flor beija sua flor
Fazendo ela do amor renascer
Levando embora qualquer dor

Que nosso barco segue no mar
O mar da vida tem turbulências
Mas a fé nos guia nessas horas
Que esperança sem fé nada é

Pudera eu mostrar o arco-íris
Que existe atrás do nublado
O colorido que a dura rotina
Esconde com toda sua poeira

Que existe um brilho estrelar
Por trás de esse seu triste olhar
O mesmo brilho das estrelas
Iluminando a escuridão do céu

Trocaria toda minha poesia
Para te ver sorrir novamente
Brotar de seu chão uma flor
Esquecida sem o seu amor

Não cabe a mim fazer a canção
Pois ela já existe dentro de ti
Assim como cada um de nós
Tem uma canção que encanta

Pedro Junqueira Franco de Castro 17:04 30/06/2013

sábado, 29 de junho de 2013

Rei de mim

Rei de mim

Tirar da terra o necessário
O sustento da leveza do ser
Alimentar a alma com luz
Para em vida poder reinar

Viver a felicidade de saber
A única riqueza acumular
Será a sabedoria de ser
A alegria de poder sorrir

Comungar a vida em paz
A existência vence o caos
A batalha a ser vencida
Ocorre dentro de mim

Compartilhar a felicidade
Dividir momentos de dor
No final festejar a vida
Ser coroado rei de mim

Pedro Junqueira Franco de Castro 29/06/2013 12:49

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sp, a capital do amor

Sp, a capital do amor

Da opressão aos pacifistas
Desperta o gigante brasileiro
Cai o véu que encobria a pátria
Revela a democrática ditadura

Revoltado com tanta opressão
Tomam as ruas os oprimidos
Em uma democracia ateniense
Vandalizam o amor reprimido

Surpreso ficou Criolo ao ver
Brotar amor das ruas de sp
Crescer no solo da capital
Fluir pelo país a revolução

A epifania da coletividade
Lutando pelo bem comum
Fez da pátria abandonada
Pelas ruas se sentir amada

Pedro Junqueira Franco de Castro 23:06 19/06/2013

domingo, 16 de junho de 2013

Ser único

Ser único

Que divino é ser aventureiro
Viver em sintonia com a floresta
Domar o animal que berra o ser
Unir fera e suprema divindade

Muita beleza vivenciar o dia
Na mágica e misteriosa noite
Dançar reverenciando a lua
Brincar com os filhos do sol

Maravilha viver na dualidade
Desabrochar o amor da mãe
Desvendar a firmeza do pai
Ser masculino e feminino

Alegria é sentir a gratidão
Pela batalha da plenitude
De reconhecer o ser único
Que somos na união divina

Pedro Junqueira Franco de Castro 16/06/2013 16:58

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Comunhão terrestre

Comunhão terrestre

Quero adentrar na sua mata
Fazer morada no seu campo
Para ver as estrelas de perto
Sentir a plenitude da solidão

Quero brincar de ser bicho
Sobrevoar a sua imensidão
Alimentar-me de seu sabor
Comungar minha vida a sua

Quero me misturar ao povo
Deslizar nas curvas do sorriso
Aventurar-me nas suas tribos
Viver na felicidade coletiva

Por fim com o corpo cansado
Mas na maturidade da alma
Pacificar minha existência
No seu ventre mãe terra

Pedro Junqueira Franco de Castro 16/05/2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Não condicione o incondicional

Não condicione o incondicional

Solte as amarras desse cais
Deixe o seu barco navegar
Existe tanto mar para amar
Com suas nuvens e corais
A vida tem muitos finais

Levante e saia dessa cama
Desapegue desse romance
Encare uma nova chance
Deixe de lado esse drama
Abra-se a uma nova trama

Liberte-se do condicional
Ame o que cabe na mão
Abrace tudo sobre o chão
Sorria para o incondicional
O seu amor não tem final

Pedro Junqueira Franco de Castro 16:41 10/04/2013

domingo, 7 de abril de 2013

Tempo de esperança

Tempo de esperança

Não espere a primavera chegar
As borboletas dançam em você
Basta libertar dos seus casulos
Todo momento é uma festa
Se você está contente em ser

Não volte a infância para brincar
A sua criança ainda celebra a vida
É só inventar uma nova brincadeira
Não espere um sorriso para sorrir
Faça da sua alegria o seu sorriso

O tempo da esperança é agora
Portanto não precisa esperar
Faça do agora o seu tempo
O agora é sempre eterno
Nem mesmo o tempo leva

Pedro Junqueira Franco de Castro 23:59 07/04/2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Livre amor

Livre amor

Nosso amor é muito grande
Para ficar preso em nós dois
O compromisso será o bem
Seremos fiéis em companhia

Esqueceremos as vaidades
Não sofreremos no amar
Recusaremos nosso poder
Para libertar nosso amor

Nesse tempo de liberdade
Nossas almas acalentadas
Irão silenciar a voz da razão
Poderemos nos amar em paz

Pedro Junqueira Franco de Castro 10:41 04/04/2013

terça-feira, 19 de março de 2013

Seguir em frente

Seguir em frente

É tempo de seguir em frente
O tempo da entrega findou-se
Juntos viveríamos pela metade
Já não posso tocar seu coração

No amor não existe vencedor
Somos culpados sem culpa
Desperdiçamos nosso amor
Na tentativa de nos amar

Sigo em frente com esperança
Nosso amor apesar de findo
Pode renascer em outro tempo
Posto que todo amor é infinito

Pedro Junqueira Franco de Castro 14:28 19/03/2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O teimoso querer

O teimoso querer

Não sei se era minha teimosia
Mas ainda que pudesse ser tua
Eu em te querer como queria
Você sem querer não me queria
Mas cada um com sua maneira
Era certo que a gente se queria

Mesmo depois de toda fantasia
Depois de tanto pranto rolado
Após ter dançado outra dança
Ainda se dividia o dia a dia
Nosso cotidiano se repetia
Como melodia que cura o dia

Talvez depois de tanto entregar
Brincar de se perder e se achar
Nos achamos confusos demais
Confusos jamais enxergaríamos
Um dia o amor que inventamos
Poderia realmente nos encontrar

O primeiro sorriso não foi em vão
O afeto existia após a efemeridade
Nada sou para dizer que não é amor
Quem é você para falar de amizade
Talvez depois de toda a sinceridade
O nosso chão poderia ser morada

Pedro Junqueira Franco de Castro 13:47 28/02/2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

Comunhão divina

Comunhão divina

Eu naveguei na noite estrelada
Conheci lugares desconhecidos
Caminhei por estradas passadas
Encontrei-me em lugares futuros
Dancei feito criança no presente
Aonde eu fui o tempo nada era

Ao expandir minha consciência
Fiz as pazes com antepassados
Pude sentir meu eu profundo
Notei a suave presença da mãe
A protetora companhia do pai
Encontrei-me dentro de mim

O medo até tentou me tomar
Meu ego tentou me sabotar
Nessa batalha me entreguei
Busquei a minha força na fé
Libertei as amarras da alma
Sublimei toda culpa passada

Foi tudo uma comunhão mágica
Éramos as gotas no mar da vida
Bailamos nas ondas desse mar
Gratos por essa viagem astral
Festejamos por ser um todo
Na infinita imensidão divina

Pedro Junqueira Franco de Castro 27/01/2013 20:53

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Presente da liberdade

Presente da liberdade

A verdade quando ocultada
Deixa aflito qualquer coração
A sinceridade alivia toda dor
Libertando nossos corações
Para os novos horizontes

Ouça o que diz seu sentimento
Aceite o presente do universo
Quando o coração quiser falar
Deixe de lado a voz da razão
Entregue seu pedido a vida

Se o seu pedido for sincero
Profundo ao tocar a alma
Alegrar as pessoas do mundo
As portas e janelas se abrem
E a vida celebra a liberdade

Pedro Junqueira Franco de Castro 17:43 14/01/2012

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Amores convenientes

Amores convenientes

As palavras convenientes se revelam
Aos poucos tomam forma na escuridão
Enfim podia confiar naquilo que sentia
As fantasias aos poucos de desfaziam
Os amantes na verdade eram amigos
Sem se preocupar com o já vivido

Os fatos que não se consumaram
As meias verdades em meio a sonhos
Na boca um sabor ainda que doce
Restava aquele final meio amargo
Atrás do faz de conta da historia
O pecado de amar sem ser amado

Inconsequentes amores convenientes
Se enamorar com uma mera fantasia
Viver sonhos sem dividir realidades
Privar da verdade o que é verdadeiro
Esperar que aquela boa intenção
Venha nos livrar da verdadeira lição

Pedro Junqueira Franco de Castro 07/01/2013 7:34

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Bailando com a vida

Bailando com a vida

Abra-se a outra percepção
Feche os olhos da visão
Perceba apenas no sentir
Somos parte da imensidão

Liberte-se de suas culpas
Um pecado pode pesar
Não queira ser um santo
O mais divino é ser humano

Deixe-se levar pela dança
Entrando no bailado da vida
Deixamos fluir naturalmente
Toda a beleza que há em ser

Permita-se viver o agora
Despede-se do seu passado
Abrace aquilo que é presente
Enfim sorria para seu futuro

Pedro Junqueira Franco de Castro 16:28 02/01/2013

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer, o genuíno latino.

Niemeyer, o genuíno latino.

Nascido na cidade poética
Sonhava uma grande alma
Nas suas veias tão latinas
Corria o sangue da liberdade
A gente de sua cidade planejada
Não manchou a genialidade de sua obra
Simples poesia concretada no coração do Brasil
Traços leves como ele mesmo compreendia a vida
Sem o peso do sistema que não lhe pertencia
Com a força de sua serena alma latina
Lutou ainda que em paz toda sua vida
Que para ele passou feito um sopro
Suavemente brincando nas curvas
Aos 104 anos morre um rapaz
Apenas um latino americano
Que nasceu, amou e partiu.

Pedro Junqueira Franco de Castro 3:52 06/12/2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

A batalha da aceitação

A batalha da aceitação

Range o ego atrás da porta
Imperfeito, humano e finito
Arruína nossa vida com culpa
Liberta toda nossa loucura
Egoísta orgulhasse da vitória

Canta a alma além da janela
Perfeita, universal e infinita
Ilumina nossa vida seu perdão
Liberta toda nossa sabedoria
Humildemente nos satisfaz

Vivemos toda dia essa batalha
Travada entre o meu e o nosso
É preciso calar os ruídos do ego
Deixar ecoar a melodia da alma
Para a vida fluir naturalmente

Pedro Junqueira Franco de Castro 02/12/2012 15:23

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ciclicamente perfeição

Ciclicamente perfeição

A perfeição está a nossa volta
No desenho da pétala da flor
No ballet sobre o rio do cisne
No orvalho a refletir o sol
Ela passa sem você notar

A perfeição em nós fez morada
No sangue que carrega a vida
No pensar que leva a noite
No cheiro que exala do amor
Ela está nos olhos de quem vê

A perfeição está mais além
No luar que de longe ilumina
No pôr de sol a trazer a noite
No universo sempre a conspirar
Ela transpira toda inspiração

A perfeição que lá fora está
Em você também se encontra
Deixe o mundo no ritmo girar
Seja você mesmo sem controlar
Seremos perfeitamente belos

Pedro Junqueira Franco de Castro 21/11/2012 04:16

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Estar juntos

Estar juntos

Uma parte de mim era sim
A outra segurava sua mão
Não precisava do seu corpo
Muito menos da sua alma
Pois só no estar juntos
A gente já se pertencia

Seu olhar me despertou
E o universo aceitou
No vão de nossas mãos
Cabiam dois corações
Nas veias lado a lado
Corria sem nos separar

Deitado ao seu lado
Seu silêncio preenchia
Minha alma com sonhos
Meu baú com fantasias
Brincando ao seu lado
Redescobri a poesia

Da união de nossos corpos
Nascia um novo amanhecer
Os passados de tristezas
O alegre presente levou
Agora os dois voavam
Ainda que tocando o chão

Pedro Junqueira Franco de Castro 1/11/2012 14:46

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Noite passageira

Noite passageira

Nem tudo que a gente vê no claro
A gente enxerga mais claramente
Existem perguntas que só o escuro
Será capaz de nos esclarecer

Eu anoiteço na fumaça densa
Meus pensamentos viajam na noite
Sem notar a adorável presença
Que a lua tem a me oferecer

Eu amanheço feito uma flor cristalizada
Os pensamentos não mais me pertencem
Foram-se todos com a fumaça da noite
Agora eu posso refazer meu próprio eu

Pedro Junqueira Franco de Castro 02:20 02/08/2012

domingo, 13 de maio de 2012

Homenagem às mães do mundo

Homenagem às mães do mundo

A confirmação de sua existência
Deu-se pela dor dessa mulher
Foi no ventre dela que por messes
Você viveu a experiência do amor
E vive hoje na vida que lhe concedeu

Quando o filho sai, sua proteção o segue
Quando o filho sofre, seu zelo é salvador
Seu coração está com ele na caminhada
Seus passos também estão nessa estrada
Sua felicidade é duplicada ao o ver feliz

E a maior dor do homem
É saber que ele pode ter o mundo
Pode saber e sentir de tudo
Mas nunca vai saber o que é ser mãe

Seu temor é que as sementes
Que no mundo ela colocou
Não amadurecam em frutos
E não desabrochem numa flor

Com a força de um leão
E a leveza de uma flor
Ela cumpre seu papel
Com dedicação e amor

Dentre todas as causas
A sua é a mais legitima
Dentre todas as missões
A sua é a mais digna
Dentre todos os amores
O seu é o melhor
Te amo Mãe!

Pedro Junqueira Franco de Castro 15:15 08/05/2011

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cegos ratos do esgoto

Cegos ratos do esgoto

Cegos seguem os ratos no esgoto
Buscam os caminhos mais curtos
Aproveitam os atalhos oportunos
Se gabam da inocente esperteza
Crentes que suas malandragens
Os dão um certo ar de superior

Inocentes comemoram a vitoria
Antecipam honras desonrosas
Orgulhosos de glorias em vão
Mancham sua própria historia
Ao fim saem sempre derrotados
Sem saborear a sonhada vitoria

Seguem incapacitados de ver a luz
Invejam aqueles que são iluminados
Pisam para esconder suas fraquezas
Prepotentes tentar enganar a justiça
Saem humilhados pela unica verdade
A vitoria e a justiça caminham juntas

Pedro Junqueira Franco de Castro 02:39 17/03/2011

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tempo de sonhar

Tempo de sonhar

Por mais lamento que temos no peito
Colhemos hoje a semente do ontem
E o esforço só não terá sido em vão
Plantando hoje o melhor do amanhã

O inesquecível vai se fazendo no hoje
E o impossível vai ficando no passado
No momento em que abrimos os olhos
Para o mar de possibilidades do futuro

Não adianta se arrepender no presente
E se esquecer que ele nos dá a chance
De corrigir erros cometidos no passado
Para ser aquilo que sonhamos no futuro

Enxergue o hoje como a vitoria da vida
O ontem como mais uma pagina virada
Nunca é tarde quando se tem o agora
E ninguém é capaz de prever o amanhã

Não tenha medo de errar no hoje
O amanhã será uma nova chance
De fazermos aquilo que é o certo
Mas que não fizemos no ontem

Hoje é o tempo da oportunidade
O amanhã o tempo da esperança
E o ontem só nos serve de lição
Lembre o ontem...
Espere o amanhã...
Viva o hoje...

Pedro Junqueira Franco de Castro 01:41 24/01/2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

Paginas de uma vida

Paginas de uma vida

É na esquina da nossa vida
Quando bate o vento forte
Que nós podemos relembrar
As lembranças esquecidas
Que uma vida de sonhar
Levou sem a gente ver

Da paixão ficam as cinzas
Que nos fazem renascer
Todo vez que um olhar
Faz dentro de nós chover

A cada pagina desse livro
Eu ainda posso perceber
Que o tempo é traiçoeiro
Mas pode nos faz crescer

Eu seguindo a criança
Deixo o vento me levar
Meu sonho é passarinhar
Mas preciso saber voar

Me entregando a boemia
Inocente o ato de sonhar
Esperar em cada esquina
O velho tesouro perdido
Que pode me fazer brilhar

Pedro Junqueira Franco de Castro 19:57 14/01/2012

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Minha essencial mãe

Minha essencial mãe

Fruto de seu doce ventre sai para o mundo
Assustado foi nos seus braços que acalmei
Ainda me lembro das palavras de carinho
Que com zelo me protegiam das lagrimas
Debaixo das asas da minha mãe coruja
O mundo parecia não poder me machucar
Eu me sentia incondicionalmente amado

Seguindo seus passos no jardim da infância
Descobri o que realmente tem valor na vida
Aquilo que constrói pontes entre corações
Tornando as pessoas iguais por sonharem
Mas se não houver dignidade no caminhar
Os passos acabarão com aquela esperança
De ver pessoas do bem o mundo governar

Ao ver nossa água ser contaminada
A rosa do nosso amor se desfolhar
Subitamente o desespero me tomou
Vi-me abandonado sem o seu amor
Caminhamos juntos na escuridão
Guiados pela fé no nosso destino
Certos de ser infinito nosso afeto

Ainda que exigente o seu zelo me ensina
Sua manta protetora ilumina meu caminho
Quando perdido posso a sua morada voltar
Mesmo com sonhos e planos diferentes
Sua essência que eu levo é meu caráter
Seu sorriso desperta minha felicidade
Seu amor faz morada em meu coração

Pedro Junqueira Franco de Castro 02:47 19/12/2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

A doce despedida da cria

A doce despedida da cria

A andorinha dedicada sente a dor da partida
O ninho parece tão vazio sem os passarinhos
Eles cresceram e alçaram voo rumo à vida
Agora é sua vez de voltar a voar livremente
Pode alcançar lugares distantes de sua alma
Revelando novos caminhos escondidos no ser

A árvore não morre depois dos frutos colhidos
Ela ainda serve de morada para outros sonhos
Sua beleza ainda é majestosa e encantadora
Agora que já serviu ao mundo com seus frutos
Pode alimentar desejos guardados na alma
Gerando flores pela simples beleza de ser

A doce mãe agora sabe o que é ser sozinha
A boca que precisou dizer não agora diz sim
O sim liberta os filhos para amar ao mundo
Agora seu tempo está livre para caminhar
Caminha rumo à maturidade de sua alma
Sutilmente se torna morada do seu ser

Pedro Junqueira Franco de Castro 10/12/2011 16:00