quinta-feira, 31 de março de 2011

Poema- epitáfio de uma Árvore

Poema- epitáfio de uma Árvore

Eu te fiz sombra
Eu te trouxe pássaros
E foi no meu tronco
Que sua rede amarrou
Fiz de tudo para te encantar
Mas você não pode notar

Você estava cego
Negava minha presença
Eu queria falar sua língua
Eu queria poder fugir
Mas esse direito não tinha
Só me restava florescer

E por pura vaidade
Na calada da noite
Amanheci morta
Não sou mais sombra
Não sou mais ninho
Não sou mais vida

E por pura covardia
O que restou foi pó
Fui sem protestar
E não quero me vingar
Mas se um dia precisar
A minha ausência irá notar

Agora no orvalho da manha
Minhas lagrimas estão a cair
Minha raiz não mais sustenta
Os meu galhos pelo chão
Meu frutos a apodrecer
E minhas flores espalhadas

Mas minha luta é maior
Minha causa é legitima
E sementes eu deixo
Para o dia que se fores
Ou se um dia aprenderes
Que sem mim vida não há

Pedro Junqueira Franco de Castro 10:08 31/03/2011

Um comentário: