Poema na contra-mão
A gente não ama
A gente se inflama
A gente não sorri
A gente se mata de rir
A gente não chora
A gente implora
A gente não transa
A gente faz extravagância
A gente não exagera
A gente se supera
A gente não dança
A gente vira criança
A gente não grita
A gente te irrita
A gente não se comporta
A gente se entorta
Somos a turma do bueiro
Sem eira
Sem beira
Que tosse
Que torce
Que vira e desvira
Que nunca termina
Que está sempre pronta pra outra
Que sempre quer mais uma dose
Que não se importa com a morte
Que vive na noite
Que dorme no dia
Que sempre faz boemia
Que nunca esquece a poesia
Somos a turma do porão
Sem dinheiro
Sem emprego
Mas nunca sem diversão
Que entorpece
Que se esquece
Que desce e sobe
Que sempre conta com a sorte
Que nunca esta satisfeita
Que nunca faz nada direito
Que vive na escuridão
Que sonha com uma paixão
Que sempre esta na farra
Que nunca foge da raia
Querendo ou não
Somos da turma da contramão
Contra patrão
Contra alienação
Contra nação
Contra adoração
Contra eleição
Contra razão
Contra alcorão
Conta qualquer religião
Vamos em frente sem dente
Sempre contra corrente
Mas sem vergonha de dizer
Que aqui jaz um descrente
Pedro Junqueira Franco de Castro 05/02/2011 00:32
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